segunda-feira, 28 de abril de 2014

Editorial

To sir, with love

Equipe Go On

 Ah! O professor! Durante a nossa vida, conhecemos inúmeros deles. Pessoas que se dispõem a ensinar, transmitir seu conhecimento e ajudar seus alunos e atingirem seu melhor, alcançar seus objetivos e continuar a progredir.

Inevitavelmente criamos vínculos com eles que, em alguns casos, são levados para a vida toda. O mais importante para nós, alunos, é o que aprendemos com eles, o modo como aprendemos; é assim que se estabelece uma boa relação aluno—professor. A cor da pele, tipo físico ou idade raramente interfere nesse processo.

 Recentemente, uma decisão do Governo Estado de São Paulo causou grande polêmica em diversos veículos de comunicação. Professores, concursados e altamente gabaritados, foram impedidos de assumir seus cargos de direito por conta dos seus índices de IMC, considerados altos para os padrões “aceitáveis” pela instituição. Mesmo tendo sua boa saúde atestada por diversos outros exames, se no momento da perícia médica for constatado um nível elevado de massa corporal — indicando obesidade mórbida—, o profissional será considerado inapto a exercer sua função.

 A justificativa dada é a de que considera-se não apenas a  capacidade laboral atual do professor, mas também um prognóstico que analisa a saúde a longo prazo. Trocando em miúdos, se você está acima do peso, é mais propenso a ter problemas de saúde e o governo não quer arcar com os custos do seu tratamento, sendo você um funcionário público, e nem se dar ao trabalho de colocar outro professor em seu lugar. O que faz muito sentido, se termos em mente que pessoas magras são imunes a qualquer tipo de doença!

 É inconcebível que a capacidade de ensinar de um indivíduo seja medida por um aspecto tão insignificante quanto esse. Um professor bom é aquele que consegue transmitir conteúdos de maneira clara e sanar dúvidas, isso pode ser feito por uma pessoa gorda ou magra.

 Vale lembrar que o IMC é um indicador que vem sendo questionado pela comunidade médica. A ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade) não o considera como um método adequado para medir a saúde de uma pessoa porque existem algumas doenças cardiovasculares causadas por gordura localizada em certas regiões do corpo e essa gordura não é considerada pelo IMC.  

 Um governo que toma atitudes como esta, baseadas na ignorância, não é um governo competente e digno. Um governo que adora levantar a bandeira da igualdade, mas que na hora “H” é o primeiro a discriminar, é mentiroso e enganador.

 A rede pública de educação está longe de ter a quantidade necessária de professores capacitados, não deve tratar os poucos que tem com tamanha leviandade.


Nenhum comentário:

Postar um comentário