segunda-feira, 28 de abril de 2014

Reportagem


O Passo a passo do Futuro
         Descomplicando o financiamento estudantil

Por Caroline Pasternack; Infográfico por Patrícia Braga

Vontade de crescer e ter uma vida melhor, motivação usada por muitos jovens na hora de escolher ingressar no ensino superior. Pode ser também, a realização de um sonho, ou a resposta à pergunta: “O que ser quando crescer?”, para alguns, é mais que obrigação e sim um desafio entrar na vida acadêmica. Primeiro vem a escolha do curso, depois a instituição e ai o problema sobre quem paga essa conta. Para muitos, os pais são a solução, mas para outros não há muito o que fazer, a não ser batalhar mês a mês para quitar as mensalidades. Eis que de repente, a conta não fecha mais e desistir não é uma opção, para essa demanda surgem os financiamentos estudantis.

Alguns bancos privados oferecem financiamento, mas o mais popular entre os estudantes é o FIES (Fundo de Financiamento Estudantil) oferecido pelo governo federal através dos bancos Caixa Econômica e Banco do Brasil. O programa consiste em financiar de 50% a 100%, o valor do curso, dependendo da renda familiar do estudante, cujo pagamento será feito após 18 meses depois da utilização. O programa passou por algumas mudanças nos últimos dois anos, como diminuição da taxa de juros (atualmente está em 3,4% ao ano), exclusão de uma das fases, que aumenta o tempo de carência ao pagamento e maior período de amortização(pagamento) que é de três vezes o tempo em que o estudante permaneceu no financiamento, acrescido de 12 meses.

Este período é importante pois o estudante consegue entrar no mercado de trabalho e se estabelecer, para assim começar a quitar as parcelas, como afirma a estudante de Designer Gráfico, Marjorie Nunes, 21, “Pretendo completar o curso fazendo uso do programa, pois mesmo conseguindo um emprego, seria um pouco difícil manter a faculdade e o elevado custo das mensalidades”. A dificuldade em uma boa colocação e os altos preços, prejudicam os futuros estudantes a conseguir acesso ou até mesmo manter. “O FIES ajuda aquelas pessoas que desejam ingressar na faculdade e não tem as condições financeiras exigidas pela universidade, no meu caso, se não fosse pelo programa eu não poderia estar estudando neste ano”, completa.

Papelada

Como em todo financiamento, há exigência de diversos documentos para comprovar as informações declaradas ao site, filas e idas ao banco, necessitando de bastante paciência do estudante que realmente tem interesse de ingressar em seu curso. Para realizar a validação dos documentos, cada instituição conta com um núcleo chamado CPSA (Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento), que realiza a triagem e encaminha o aluno ao banco escolhido para conclusão do financiamento.

Em algumas universidades como a Anhembi Morumbi, que concentra sua comissão no campus da Paulista, as senhas para atendimento são entregues à partir das 8h, mas a fila na porta da faculdade começa às 6h e a espera para ser atendido pode durar até 12 horas, correndo o risco de não estar com os documentos corretos. “Muita gente vem à CPSA sem muita informação, com documentação faltante e irritados por não estar com tudo certo, ou acreditar que poderia fazer o financiamento e não conseguir, mas esses transtornos poderiam ser evitados se as pessoas se informassem melhor, nosso trabalho é esclarecer o máximo possível e conseguir ajudar a realizar sonhos",diz Rodrigo Faber, 28, atendente da Comissão da universidade FMU.

Já o banco afirma que muita gente chega à fase final mal informado pela faculdade.” Os estudantes acham que ao chegar no banco leva cinco minutos para resolver e gerar o contrato, além de faltar documento. Quando não há fiador, é mais simples, mas quando há necessidade é como se aumentássemos uma etapa, e quase nenhum deles chega aqui com essa informação”, explica Ida Franco Costa, 50, Auxiliar de atendimento da Caixa Econômica. O fiador precisa ter renda igual ou superior a duas vezes o valor da mensalidade e pode ser familiar do aluno. Não é necessário caso a renda per capita da família, seja de até um salário mínimo e meio ou que o aluno queira ingressar em cursos de licenciatura.

Apesar da confusão nas informações e um pouco de cansaço na contratação do financiamento, é uma porta a mais para o estudante e uma possibilidade de conseguir sua realização profissional e pessoal. “Achei que exigiram documentos desnecessários, fui três vezes à faculdade e ainda assim faltava algo. Acredito que para quem que não possui condições de estudar, o programa ajuda muito, a taxa de juros é pequena, não gerando muitos reajustes. Hoje tenho o meu curso financiado pelo FIES e não me arrependo, mesmo sendo um processo um pouco demorado, valeu muito a pena”, comemora Carolina Melo Alves,19, Auxiliar administrativa e estudante de Administração. Com mais essa possibilidade em mãos, cabe ao estudante decidir o melhor para seu futuro.
 
ETAPAS DA CONTRATAÇÃO        





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