O
Passo a passo do Futuro
Descomplicando
o financiamento estudantil
Por Caroline Pasternack;
Infográfico por Patrícia Braga
Vontade
de crescer e ter uma vida melhor, motivação usada por muitos jovens
na hora de escolher ingressar no ensino superior. Pode ser também, a
realização de um sonho, ou a resposta à pergunta: “O que ser
quando crescer?”, para alguns, é mais que obrigação e sim um
desafio entrar na vida acadêmica. Primeiro vem a escolha do curso,
depois a instituição e ai o problema sobre quem paga essa conta.
Para muitos, os pais são a solução, mas para outros não há muito
o que fazer, a não ser batalhar mês a mês para quitar as
mensalidades. Eis que de repente, a conta não fecha mais e desistir
não é uma opção, para essa demanda surgem os financiamentos
estudantis.
Alguns
bancos privados oferecem financiamento, mas o mais popular entre os
estudantes é o FIES (Fundo de Financiamento Estudantil) oferecido
pelo governo federal através dos bancos Caixa Econômica e Banco do
Brasil. O programa consiste em financiar de 50% a 100%, o valor do
curso, dependendo da renda familiar do estudante, cujo pagamento será
feito após 18 meses depois da utilização. O programa passou por
algumas mudanças nos últimos dois anos, como diminuição da taxa
de juros (atualmente está em 3,4% ao ano), exclusão de uma das
fases, que aumenta o tempo de carência ao pagamento e maior período
de amortização(pagamento) que é de três vezes o tempo em que o
estudante permaneceu no financiamento, acrescido de 12 meses.
Este
período é importante pois o estudante consegue entrar no mercado de
trabalho e se estabelecer, para assim começar a quitar as parcelas,
como afirma a estudante de Designer Gráfico, Marjorie Nunes, 21,
“Pretendo completar o curso fazendo uso do programa, pois mesmo
conseguindo um emprego, seria um pouco difícil manter a faculdade e
o elevado custo das mensalidades”. A dificuldade em uma boa
colocação e os altos preços, prejudicam os futuros estudantes a
conseguir acesso ou até mesmo manter. “O FIES ajuda aquelas
pessoas que desejam ingressar na faculdade e não tem as condições
financeiras exigidas pela universidade, no meu caso, se não fosse
pelo programa eu não poderia estar estudando neste ano”, completa.
Papelada
Como
em todo financiamento, há exigência de diversos documentos para
comprovar as informações declaradas ao site, filas e idas ao banco,
necessitando de bastante paciência do estudante que realmente tem
interesse de ingressar em seu curso. Para realizar a validação dos
documentos, cada instituição conta com um núcleo chamado CPSA
(Comissão
Permanente de Supervisão e Acompanhamento), que realiza a triagem e
encaminha o aluno ao banco escolhido para conclusão do
financiamento.
Em
algumas universidades como a Anhembi Morumbi, que concentra sua
comissão no campus da Paulista, as senhas para atendimento são
entregues à partir das 8h, mas a fila na porta da faculdade começa
às 6h e a espera para ser atendido pode durar até 12 horas,
correndo o risco de não estar com os documentos corretos. “Muita
gente vem à CPSA sem muita informação, com documentação faltante
e irritados por não estar com tudo certo, ou acreditar que poderia
fazer o financiamento e não conseguir, mas esses transtornos
poderiam ser evitados se as pessoas se informassem melhor, nosso
trabalho é esclarecer o máximo possível e conseguir ajudar a
realizar sonhos",diz Rodrigo Faber, 28, atendente da Comissão da
universidade FMU.
Já
o banco afirma que muita gente chega à fase final mal informado pela
faculdade.” Os estudantes acham que ao chegar no banco leva cinco
minutos para resolver e gerar o contrato, além de faltar documento.
Quando não há fiador, é mais simples, mas quando há necessidade é
como se aumentássemos uma etapa, e quase nenhum deles chega aqui com
essa informação”, explica Ida Franco Costa, 50, Auxiliar de
atendimento da Caixa Econômica. O fiador precisa ter renda igual ou
superior a duas vezes o valor da mensalidade e pode ser familiar do
aluno. Não é necessário caso a renda per capita da família, seja
de até um salário mínimo e meio ou que o aluno queira ingressar em
cursos de licenciatura.
Apesar
da confusão nas informações e um pouco de cansaço na contratação
do financiamento, é uma porta a mais para o estudante e uma
possibilidade de conseguir sua realização profissional e pessoal.
“Achei que exigiram documentos desnecessários, fui três vezes à
faculdade e ainda assim faltava algo. Acredito
que para quem que não possui condições de estudar, o programa
ajuda muito, a taxa de juros é pequena, não gerando muitos
reajustes. Hoje tenho o meu curso financiado pelo FIES e não me
arrependo, mesmo sendo um processo um pouco demorado, valeu muito a
pena”, comemora Carolina Melo Alves,19, Auxiliar administrativa e
estudante de Administração. Com mais essa possibilidade em mãos,
cabe ao estudante decidir o melhor para seu futuro.
ETAPAS DA CONTRATAÇÃO


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