Dia
de visita
Caroline
Pasternack
Dias
atrás fui visitar um amigo, com pesar no coração pois ele estava
preso. Nesse momento, como de costume, todos os amigos somem ou
colocam dificuldades como: Ah! Ele está lá, atrás daquele balcão,
precisa passar por aquele carcereiro que nunca sorri e tudo mais.
Realmente era mais fácil quando ele estava nas paradas de sucesso ou
na lista dos mais vendidos, mas agora ele depende de visitas para ver
a luz do sol.
Ah
meu grande amigo! Na verdade não entendo o que fizeste para receber
tal castigo, você que sempre deu conhecimento, que entreteve,
argumentou e agora fica aí, longe do contato, do toque. Passou por
tantas mãos, e nem exigia grandes cuidados, já ficava satisfeito em
ser importante para alguém. Realmente são misteriosos os caminhos
aonde a vida nos leva, mas tenha certeza que sempre haverá alguém
ansioso por seus ensinamentos.
Ao
chegar em sua prisão, vi poucas pessoas na sala de visitas, sorte
dele eu ter vindo! Fui ao encontro do carcereiro que com aquela cara
de cansado, me perguntou o que queria, disse o nome de meu amigo e
ele foi conferir se ele ainda estava naquela unidade, para minha
alegria, sim, estava. Eu poderia ficar com ele ali ou levá-lo por
alguns dias, decidi trazê-lo comigo para que tomasse um pouco de ar,
acredito que lhe foi agradável, aquelas prateleiras da prisão
cheiram a mofo de esquecimento, terrível aliás.
Passei
os dias folheado suas páginas, me encantando mais uma vez com sua
velha história por mim já conhecida. Quincas Borba não cansava de
contar as desventuras com seu amigo Brás Cubas, seu amor pelo cão
de nome homônimo ao dele e afirmava com certeza ser santo. Ainda bem
que eu já sabia que ele não era lá tão são assim, por isso
deixei que falasse até o dia da volta. Sendo
assim ele não saberia, há quantas anda os 50 tons de cinza e nem
iria dizer que a culpa é das estrelas, é do esquecimento mesmo, é
da novidade, que
nos lança em teias sociais e novas conexões, mas não se preocupe,
eu volto. Há procura de novas histórias e novos amigos, na
esperança, meu caro, de um dia te ver livre.
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