quinta-feira, 24 de abril de 2014

Reportagem

CONHECER O MUNDO E A SI MESMO

“Digo e repito para todos que me perguntam se vale a pena: É a melhor coisa que você vai fazer na sua vida.”

Thainá Miranda e Gabriela Costa

 Passar sete meses longe de casa não é pra qualquer um, mas Isabella Alvarenga conseguiu contornar a saudade de casa na Austrália e de quebra passar mais uns dias desbravando a Tailândia, Indonésia e Nova Zelândia.

 No auge dos seus 21 anos, Isabella é uma típica ariana: aventureira, idealista e que sonha desbravar o mundo. E esses adjetivos que descrevem a personalidade da nossa aventureira também foram o passo principal pra ela se jogar nessa experiência incrível. A Austrália foi a principal escolha de Isa quando o assunto era intercâmbio, descobrir coisas novas, sair de sua zona de conforto e encarar as dificuldades de uma nova cultura.

 A estudante de Gestão de Empresas na UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas) saiu do Brasil pra fazer um curso técnico na mesma área. Nas primeiras cinco semanas, fez um curso intensivo de inglês para se preparar para o segundo curso que iria fazer. 


 Morou em Sidney — cidade mais populosa da Austrália —,  durante os três primeiros meses passou por lá, ficou em uma casa de família, mais conhecida como HomeStay  porém não se adaptou, até que o curso deu a opção de mudar de cidade. E aí Isabella partiu pra uma cidade chamada Gold Coast onde foi morar em uma república e se deparou com garotas e garotos de toda a parte do mundo, mas sem medo se jogou de cabeça em todas as amizades e finalmente se sentia em casa. 

 “Sidney era maravilhosa, mas é uma cidade muito grande. Eu não consegui me adaptar direito pelo fato de demorar 40 minutos de ônibus para ir estudar e mais 20 de casa até a praia. Gold Coast foi ideal pra mim, fazia tudo de bicicleta ou a pé e na república eu convivia com pessoas da minha idade, mudar de cidade foi o ideal pra mim." 

 Isa não podia reclamar, morava a dois quarteirões da praia, estudava cerca de cinco horas por dia no período da manhã, trabalhava como garçonete em um restaurante local pela tarde e depois, ainda lhe sobrava pique para conhecer o que a noite australiana tinha de melhor.

 Estudar o que gosta parece ótimo, mas estudar o que gosta em um lugar maravilhoso chega a ser surreal, e ainda com as companhias maravilhosas que a viagem lhe proporcionou.

 Porém, isso ainda era pouco para Isabella, talvez ainda não seja a hora de voltar pra casa, então com o que sobrou de suas economias que ganhou enquanto trabalhava no restaurante, pegou mais uma vez sua mala e rumou para Tailândia e Indonésia. Férias mais que merecidas, ainda mais em um lugar desses, com duas de suas fiéis escudeiras que fez enquanto estudava – Uma inglesa e uma brasileira – partiram em mais uma aventura.


 “O mais caro foi a passagem já que o custo de vida por lá é muito barato, com 50 dólares eu passeava, comia e ainda ficava hospedada. Eu  tinha uma grana guardada da época que trabalhei, e minha mãe me ajudava também. Já que quando mudei de Sidney pra Gold Coast, nós fizemos um acordo: Como Gold Coast era uma cidade menor, eu gastaria menos e ela controlaria meus gastos e guardaria o dinheiro que sobrasse pra eu poder fazer essa viagem. Fiz essa viagem no meu período de férias entre o Natal e o Ano novo”, conta Isabella.

 Os sete meses passaram em um piscar de olhos, logo Isabella segurava seu tão almejado diploma em mãos, sua mãe – que foi sua maior inspiração e quem deu todo o apoio para Isa realizar seu sonho – não podia estar mais orgulhosa. Mas uma semana antes de voltar para o Brasil, a estudante se aventurou de novo: uma semana na Nova Zelândia, onde pularia de Bungee Jump.

 Isabella todo dia compartilhava com seus novos e velhos amigos por meio de redes sociais um dos céus mais bonitos do mundo, coisa que diz nunca se acostumar. Todo final de tarde era um espetáculo, as cores brincavam em diferentes tonalidades no horizonte, hora em que ela parava pra ver como tudo estava valendo a pena.


 Hoje, com o coração apertado, lembra tudo que passou, fez promessas de voltar e até um amor ela deixou por lá. “Passei por várias coisas durante esses sete meses, conheci gente nova, conheci uma cultura completamente diferente, me diverti, fiz amigos quais vou levar pra minha vida inteira, passei por inúmeros perrengues, porém eu faria tudo de novo sem tirar nem por. “Digo e repito para todos que me perguntam se vale a pena: É a melhor coisa que você vai fazer na sua vida.”

Toda ajuda é pouco

 Hedgar Álvares nasceu no interior de São Paulo. Foi para a Irlanda pela primeira vez sozinho e bastante jovem, tinha 18 anos. O plano inicial era passar seis meses em Dublin. Ficou por seis anos. Ele diz que sua experiência lá foi inesquecível (adjetivo que praticamente todos intercambistas usam para descrever suas histórias overseas).

 Atualmente, Hedgar é responsável pelo escritório de uma escola irlandesa especializada em cursos de inglês, com filial em São Paulo, e ajuda dezenas de jovens a realizarem seus sonhos, assim como ele mesmo fez anos atrás. Anna Dombrauskas faz parte desse grupo de jovens sonhadores. Aos 19 anos, ela se prepara para fazer sua primeira viagem internacional. “São muitos detalhes! Confesso que no começo fiquei um pouco confusa, mas agora que estou na metade do caminho, todas a dificuldades se tornam pequenas”.

 A ajuda de Hedgar tem sido indispensável para Anna. Ele a acompanha desde o momento em que decidiu quanto tempo duraria seu curso, passando pela emissão do seu passaporte, escolha de acomodação, horário das aulas e estará com ela até o momento em que desembarcará de volta ao Brasil. Para um intercambista de primeira viagem, esse cuidado faz toda a diferença.

 Àqueles que almejam estudar ou trabalhar fora de seu país natal, Hedgar recomenda muita responsabilidade e organização. Para ele, morar em um país estrangeiro não é para todos, é preciso ter muita educação e estar sempre atento a pessoas e escolas oportunistas. “Hoje em dia, não faltam agências, agentes e escolas de intercâmbio que prometem mundo e fundos aos estudantes, mas que não podem cumprir nem metade do que falam”.  


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