Cotas: alternativa ou solução ?
Após 1 ano, sistema de Cotas ainda causa polêmicaPor: Amanda Pereira
(Elaborada como material de avaliação durante o 2° Semestre do curso)
Desde sua aprovação, as opiniões são variadas acerca da Lei. As críticas surgem principalmente sobre a declaração de ser negro. O principal argumento é que, dessa forma, instala-se a diferença de raça de forma clara no Brasil.
Para o antropólogo, escritor, dramaturgo e gestor público Luiz Eduardo Soares, em entrevista ao site Nota de Rodapé, as diferenças escolares entre negros e brancos se repetem há muito tempo, e o problema do racismo precisa ser solucionado – ou amenizado. “É preciso agir de imediato, recorrendo-se aos mecanismos disponíveis, ou seja, adotando-se políticas públicas pragmáticas de efeitos tópicos e imediatos. As cotas incluem-se nesse repertório de ações públicas que não constituem soluções, propriamente, mas mitigações e redução de danos.”
Sobre a questão do mérito para o acesso, Luiz Eduardo indaga se as oportunidades para o ensino foram as mesmas. “As condições com que contaram para a formação escolar foram muito diferentes: a qualidade das escolas foi diferente, a qualidade de vida em casa, no transporte, assim como terão sido distintas as chances de acesso aos livros e ao material didático pertinente”, analisa.
Já Maria Beatriz de Carvalho Melo Lobo, vice-presidente do Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Tecnologia, contrária a Lei, vê como o melhor caminho para a solução do problema de acesso ao ensino superior a adoção de um amplo programa de financiamento a estudante carente, mas “academicamente capaz”.
Além disso, acredita que é papel do governo promover incentivos ao estudo, e não das Universidades. “(as Universidades Públicas) precisam ser preservadas de responder por este tipo de política de inclusão social, que é de estado e não delas.”
Já Josete Lima dos Santos e Regina Helena Pires, professoras da rede pública, disseram ser a favor da lei.
Para Josete, há 18 anos nas salas de aula, as cotas precisam existir. “A Universidade não pode dar as costas aos alunos. Claro que existe a defasagem, e seria muito melhor investir na educação pública”, argumenta.
Regina, formada em Letras pela Universidade de São Paulo em 1981, vinda de escola pública, lembra que passou por situações de preconceito por ser negra, principalmente por parte dos docentes. “Eles (professores) olhavam de baixo a cima para mim. Posso falar por experiência própria: sofri muito.” Acrescenta, ainda, que vê “uma dificuldade muito grande de aceitação dos alunos cotistas”.
No ponto de vista das educadoras, o desamparo aos alunos que entram pela existência de cotas é o principal fator que precisa mudar. Questionadas sobre o que poderia mudar, a resposta é clara: investimento na educação básica!
Em relação a existência do projeto, Josete é mais radical e acredita que “a Universidade só está tentando amenizar o sofrimento social”, e acha que ela tem que fazer alguma coisa sim. Mas pondera que os frutos só serão vistos daqui uns 10, 15 anos.
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