CONHECER O MUNDO E A SI MESMO
“Digo e
repito para todos que me perguntam se vale a pena: É a melhor coisa que você
vai fazer na sua vida.”
Thainá
Miranda e Gabriela Costa
Passar sete
meses longe de casa não é pra qualquer um, mas Isabella Alvarenga conseguiu
contornar a saudade de casa na Austrália e de quebra passar mais uns dias
desbravando a Tailândia, Indonésia e Nova Zelândia.
No auge dos seus 21 anos, Isabella é uma
típica ariana: aventureira, idealista e que sonha desbravar o mundo. E esses
adjetivos que descrevem a personalidade da nossa aventureira também foram o
passo principal pra ela se jogar nessa experiência incrível. A Austrália foi a
principal escolha de Isa quando o assunto era intercâmbio, descobrir coisas
novas, sair de sua zona de conforto e encarar as dificuldades de uma nova
cultura.
A estudante de Gestão de Empresas na
UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas) saiu do Brasil pra fazer um curso
técnico na mesma área. Nas primeiras cinco semanas, fez um curso intensivo de
inglês para se preparar para o segundo curso que iria fazer.
Morou em Sidney — cidade
mais populosa da Austrália —, durante os
três primeiros meses passou por lá, ficou em uma casa de família, mais
conhecida como HomeStay porém não se
adaptou, até que o curso deu a opção de mudar de cidade. E aí Isabella partiu
pra uma cidade chamada Gold Coast onde foi morar em uma república e se deparou
com garotas e garotos de toda a parte do mundo, mas sem medo se jogou de cabeça
em todas as amizades e finalmente se sentia em casa.
“Sidney era maravilhosa,
mas é uma cidade muito grande. Eu não consegui me adaptar direito pelo fato de
demorar 40 minutos de ônibus para ir estudar e mais 20 de casa até a praia.
Gold Coast foi ideal pra mim, fazia tudo de bicicleta ou a pé e na república eu
convivia com pessoas da minha idade, mudar de cidade foi o ideal pra mim."
Isa
não podia reclamar, morava a dois quarteirões da praia, estudava cerca de cinco
horas por dia no período da manhã, trabalhava como garçonete em um restaurante
local pela tarde e depois, ainda lhe sobrava pique para conhecer o que a noite
australiana tinha de melhor.
Estudar o que
gosta parece ótimo, mas estudar o que gosta em um lugar maravilhoso chega a ser
surreal, e ainda com as companhias maravilhosas que a viagem lhe proporcionou.
Porém, isso ainda era pouco para
Isabella, talvez ainda não seja a hora de voltar pra casa, então com o que
sobrou de suas economias que ganhou enquanto trabalhava no restaurante, pegou
mais uma vez sua mala e rumou para Tailândia e Indonésia. Férias mais que
merecidas, ainda mais em um lugar desses, com duas de suas fiéis escudeiras que
fez enquanto estudava – Uma inglesa e uma brasileira – partiram em mais uma
aventura.
“O mais caro
foi a passagem já que o custo de vida por lá é muito barato, com 50 dólares eu
passeava, comia e ainda ficava hospedada. Eu
tinha uma grana guardada da época que trabalhei, e minha mãe me ajudava
também. Já que quando mudei de Sidney pra Gold Coast, nós fizemos um acordo:
Como Gold Coast era uma cidade menor, eu gastaria menos e ela controlaria meus
gastos e guardaria o dinheiro que sobrasse pra eu poder fazer essa viagem. Fiz
essa viagem no meu período de férias entre o Natal e o Ano novo”, conta
Isabella.
Os sete meses passaram em um piscar de
olhos, logo Isabella segurava seu tão almejado diploma em mãos, sua mãe – que
foi sua maior inspiração e quem deu todo o apoio para Isa realizar seu sonho –
não podia estar mais orgulhosa. Mas uma semana antes de voltar para o Brasil, a
estudante se aventurou de novo: uma semana na Nova Zelândia, onde pularia de
Bungee Jump.
Isabella todo dia compartilhava com seus
novos e velhos amigos por meio de redes sociais um dos céus mais bonitos do
mundo, coisa que diz nunca se acostumar. Todo final de tarde era um espetáculo,
as cores brincavam em diferentes tonalidades no horizonte, hora em que ela
parava pra ver como tudo estava valendo a pena.
Hoje, com o
coração apertado, lembra tudo que passou, fez promessas de voltar e até um amor
ela deixou por lá. “Passei por várias coisas durante esses sete meses, conheci
gente nova, conheci uma cultura completamente diferente, me diverti, fiz amigos
quais vou levar pra minha vida inteira, passei por inúmeros perrengues, porém
eu faria tudo de novo sem tirar nem por. “Digo e repito para todos que me
perguntam se vale a pena: É a melhor coisa que você vai fazer na sua vida.”
Toda ajuda é
pouco
Hedgar Álvares
nasceu no interior de São Paulo. Foi para a Irlanda pela primeira vez sozinho e
bastante jovem, tinha 18 anos. O plano inicial era passar seis meses em Dublin.
Ficou por seis anos. Ele diz que sua experiência lá foi inesquecível (adjetivo
que praticamente todos intercambistas usam para descrever suas histórias overseas).
Atualmente, Hedgar
é responsável pelo escritório de uma escola irlandesa especializada em cursos
de inglês, com filial em São Paulo, e ajuda dezenas de jovens a realizarem seus
sonhos, assim como ele mesmo fez anos atrás. Anna Dombrauskas faz parte desse
grupo de jovens sonhadores. Aos 19 anos, ela se prepara para fazer sua primeira
viagem internacional. “São muitos detalhes! Confesso que no começo fiquei um
pouco confusa, mas agora que estou na metade do caminho, todas a dificuldades
se tornam pequenas”.
A ajuda de Hedgar
tem sido indispensável para Anna. Ele a acompanha desde o momento em que
decidiu quanto tempo duraria seu curso, passando pela emissão do seu
passaporte, escolha de acomodação, horário das aulas e estará com ela até o
momento em que desembarcará de volta ao Brasil. Para um intercambista de
primeira viagem, esse cuidado faz toda a diferença.
Àqueles que
almejam estudar ou trabalhar fora de seu país natal, Hedgar recomenda muita
responsabilidade e organização. Para ele, morar em um país estrangeiro não é
para todos, é preciso ter muita educação e estar sempre atento a pessoas e
escolas oportunistas. “Hoje em dia, não faltam agências, agentes e escolas de
intercâmbio que prometem mundo e fundos aos estudantes, mas que não podem cumprir
nem metade do que falam”.